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domingo, 10 de agosto de 2014
Cremos que os ministros da palavra de Deus, os presbíteros e os diáconos devem ser escolhidos para seus ofícios mediante eleição legítima pela igreja, sob invocação do nome de Deus e em boa ordem, conforme a palavra de Deus ensina [1].

Por isso, cada membro deve cuidar para não se apoderar do ofício por meios ilícitos, mas deve esperar a hora em que é chamado por Deus, a fim de ter, assim, a certeza de que sua vocação vem do Senhor [2].

Quanto aos ministros da Palavra, eles têm, onde quer que estejam, igual poder e autoridade, porque todos são servos de Jesus Cristo [3], o único Bispo universal e o único Cabeça da igreja [4].

Além disto, a santa ordem de Deus não pode ser violada ou desprezada. Dizemos, portanto, que cada um deve ter respeito especial pelos ministros da Palavra e presbíteros da igreja, em razão do trabalho que realizam [5]. Cada um deve viver em paz com eles, tanto quanto possível, sem murmuração, contenda ou discórdia.

1 At 1:23,24; At 6:2,3. 2 At 13:2; 1Co 12: 28; 1Tm 4:14; 1Tm 5:22; Hb 5:4. 3 2Co 5:20; 1Pe 5:1-4. 4 Mt 23:8,10; Ef 1:22; Ef 5:23. 5 1Ts 5:12,13; 1Tm 5:17; Hb 13:17.

Confissão de Fé Belga
Artigo 31
sábado, 9 de agosto de 2014
Permitam-me então fazer um sumário do que o apóstolo diz nestes importantes versículos.

Primeiro, a promessa e o propósito de Deus só dizem respeito a algumas pessoas. Essa afirmação é tão verdadeira quanto à nação de Israel quanto todas as demais pessoas. Esse é tão somente outro modo de dizer:"nem todos os de Israel são Israel" - contrariamente fatal e errônea presunção dos judeus. Em última instância, foi essa a razão pela qual eles crucificaram o próprio Filho de Deus. Não se deram conta disso. A promessa de Deus não é universal, nem mesmo com relação à Israel, aos judeus. É só para certas pessoas.

Segundo, estas pessoas, às quais o propósito e a promessa de Deus se aplicam, são, e vieram a ser o que são, não por causa de alguma coisas delas ou nelas. Elas são o povo de Deus, são esta "semente" da qual Paulo fala, não por causa do nascimento deles, não por causa da sua nacionaliade, não por causa de algumas coisas que elas tenham feito ou façam, nem mesmo por crerem no evangelho. São o que são porque Deus as chama a ser, as chama à existência, por causa do elemento sobrenatural presente em seu nascimento, como já vimos no caso de Isaque, que, como Paulo nos diz em Gálatas 4:28-30, nasceu "segundo o Espírito".

Terceiro, noutras palavras, o propósito de Deus está sendo levado a efeito, sempre foi e sempre será, por meio desse processo de seleção e eleição, e vemos como Paulo demonstra esta verdade mediante os casos de Ismael e Isaque como de Esaú e Jacó.

Quarto, Deus põe em andamento e efetua o Seu propósito por intermédio deste processo de seleção e eleição unicamente por uma razão - porque é o único método que garante que Seu propósito e o Seu plano serão certa, segura e infalivelmente efetuados e levados a uma fruição final: "para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme". Não depende de nós de forma alguma, e sim do próprio Deus, do Seu caráter e de Sua ação.

Martin Lloyd-Jones
In: Romanos: exposição sobre o capítulo 9 - o soberano propósito de Deus
domingo, 3 de agosto de 2014
Cremos que esta verdadeira igreja deve ser governada conforme a ordem espiritual, que nosso Senhor nos ensinou na sua Palavra [1]. Deve haver ministros ou pastores para pregarem a Palavra de Deus e administrarem os sacramentos [2]; deve haver também presbíteros [3] e diaconos [4] para formarem, com os pastores, o conselho da igreja [5]. Assim, eles devem manter a verdadeira religião e fazer com que a verdadeira doutrina seja propagada, que os transgressores sejam castigados e contidos, de forma espiritual, e que os pobres e os aflitos recebam ajuda e consolação, conforme necessitam [6].

Desta maneira, tudo procederá, na igreja, em boa ordem, quando forem eleitas pessoas fiéis [7], conforme a regra do apóstolo Paulo na carta a Timóteo [8].

1 At 20:28; Ef 4:11,12; 1Tm 3:15; Hb 13:20, 21. 2 Lc 1:2; Lc 10:16; Jo 20:23; Rm 10:14; 1Co 4:1; 2Co 5:19,20; 2Tm 4:2. 3 At 14:23; Tt 1:5. 4 1Tm 3:8-10. 5 Fp 1:1; 1Tm 4:14. 6 At 6:1-4; Tt 1:7-9. 7 1Co 4:2. 8 1Tm 3.

Confissão de Fé Belga
Artigo 30
sábado, 2 de agosto de 2014
A eleição de Isaque ilustra bem a soberania de Deus em escolher alguém de forma absolutamente graciosa. E antes que se proteste que esta escolha não é para a salvação, adianto que não é o que afirmo aqui. Porém, não nego que a mesma tem a ver com a salvação, pois Paulo vem tratando disso uma vez que fala dos judeus, por quem desejaria estar separado de Cristo se isto resultasse na salvação deles.

O fato é que Paulo está afirmando que “nem todos os que são de Israel são israelitas” (Rm 9.6) assim como “não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa” (Rm 9.8), o que confere à passagem um conteúdo soteriológico. Independente desta conotação, vejamos como Deus escolhe Isaque para através dele cumprir o Seu propósito salvífico.

Conhecemos a história. Deus havia prometido um filho a Abraão, mas antes que a promessa se cumprisse, obteve um filho com sua serva Hagar. No que lhe tocava, ele estava satisfeito com o resultado. Vemos isso quando Deus lhe disse a respeito de Sara “abençoá-la-ei e dela te darei um filho” (Gn 17.16) ele respondeu “tomara que viva Ismael diante de ti” (Gn 17.18). Dependesse da vontade de Abraão, Isaque não seria escolhido.

Que vantagem tinha Isaque sobre Ismael? Nenhuma. Ambos eram filhos de Abraão. O termo descendência ou semente é utilizado tanto para um como para outro. E se havia alguma vantagem para um dos filhos, era em favor de Ismael, que sendo o primogênito tinha a primazia. Sob o ponto de vista da filiação, havia igualdade, quanto ao costume da época, havia clara vantagem para o filho de Hagar.

Isto fica ainda mais evidente quando consideremos o interessante fato de que Isaque sequer havia nascido foi escolhido por Deus. Aliás, sequer havia sido concebido, pois o Senhor diz “por este tempo virei, e Sara terá um filho” (Rm 9.9). O que distinguia Ismael e Isaque? Sob o ponto de vista da filiação, nada, ambos descendem de Abraão. Pelo nascimento, Ismael era o primogênito, sem contar que seu "concorrente" sequer existia e tinha preferência de seu pai (como alguém poderia preferir um filho que não existia a um que estava em seus braços?). Porém, uma distinção essencial havia: a promessa de Deus.

Agora, se alguém disser que Deus anteviu um futuro em que Isaque produzia uma descendência que levava ao Messias e que por isso o escolheu, sem que tenha decretado ou realizado Ele mesmo tudo isso, então precisarei acrescentar um parágrafo a este breve texto, para dizer que era impossível que isto acontecesse sem que o Senhor mesmo o fizesse, pois o próprio Isaque era uma impossibilidade.

O patriarca sabia disso, por isso “se prostrou Abraão, rosto em terra, e se riu, e disse consigo: a um homem de cem anos há de nascer um filho? Dará à luz Sara com seus noventa anos?” (Gn 17.17). Porque havia prometido, Deus tornou possível o impossível, ou seja, “visitou o SENHOR a Sara, como lhe dissera, e o SENHOR cumpriu o que lhe havia prometido” (Gn 21.1). A história ilustra o que o Senhor declara, nas palavras “Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei” (Is 46.11).

Soli Deo Gloria
domingo, 27 de julho de 2014
Cremos que se deve discernir diligentemente e com muito cuidado, pela Palavra de Deus, qual é a verdadeira igreja, visto que todas as seitas, que atualmente existem no mundo, se chamam igreja, mas sem razão [l]. Não falamos aqui dos hipócritas que, na igreja, se acham entre os sinceros fiéis; contudo, não pertencem à igreja, embora sejam membros dela [2]. Mas queremos dizer que se deve distinguir o corpo e a comunhão da verdadeira igreja, de todas as seitas que se dizem igreja.

As marcas para conhecer a verdadeira igreja são estas: ela mantém a pura pregação do Evangelho [3], a pura administração dos sacramentos [4] como Cristo os instituiu, e o exercício da disciplina eclesiástica para castigar os pecados [5]. Em resumo: ela se orienta segundo a pura Palavra de Deus [6], rejeitando todo o contrário a esta Palavra [7] e reconhecendo Jesus Cristo como o único Cabeça [8]. Assim, com certeza, se pode conhecer a verdadeira igreja; e a ninguém convém separar-se dela.

Aqueles que pertencem à igreja podem ser conhecidos pelas marcas dos cristãos, a saber: pela fé [9] e pelo fato de que eles, tendo aceitado Jesus Cristo como único Salvador, fogem do pecado e seguem a justiça [10], amando Deus e seu próximo [11], não se desviando para a direita nem para a esquerda e crucificando a carne, com as obras dela [12]. Isto não quer dizer, porém , que eles não têm ainda grande fraqueza, mas, pelo Espírito, a combatem, em todos os dias de sua vida [13], e sempre recorrem ao sangue, à morte, ao sofrimento e à obediência do Senhor Jesus. NEle eles têm a remissão dos pecados, pela fé [14].

Quanto à falsa igreja, ela atribui mais poder e autoridade a si mesma e a seus regulamentos do que à Palavra de Deus e não quer submeter-se ao jugo de Cristo [15]. Ela não administra os sacramentos como Cristo ordenou em sua Palavra, mas acrescenta ou elimina o que lhe convém. Ela se baseia mais nos homens que em Cristo. Ela persegue aqueles que vivem de maneira santa, conforme a Palavra de Deus, e que lhe repreendem os pecados, a avareza e a idolatria [16].

É fácil conhecer estas duas igrejas e distingui-las uma da outra.

1 Ap 2:9. 2 Rm 9:6. 3 Gl 1:8; 1Tm 3:15. 4 At 19:3-5; 1Co 11:20-29. 5 Mt 18:15-17; 1Co 5:4,5,13; 2Ts 3:6,14; Tt 3:10. 6 Jo 8:47; Jo 17:20; At 17:11; Ef 2:20; Cl 1:23; 1Tm 6:3. 7 1Ts 5:21; lTm 6:20; Ap 2:6. 8 Jo 10:14; Ef 5:23; C1 1:18. 9 Jo 1:12; 1Jo 4:2. 10 Rm 6:2; Fp 3:12. 11 1Jo 4:19-21. 12 Gl 5:24. 13 Rm 7:15; G1 5:17. 14 Rm 7:24,25; 1Jo 1: 7-9. 15 At 4:17,18; 2Tm 4:3,4; 2Jo :9. 16 Jo 16:2.

Confissão de Fé Belga
Artigo 29
sábado, 26 de julho de 2014
À proporção que as vidas são consagradas e as mentes transformadas, para entenderem a vontade de Deus em Sua total bondade e perfeição (Rm 12.1ss), surge um reconhecimento humilde da natureza do Corpo em Cristo (v.4). O corpo e a mente não são sacrificados num altar, segundo o modo da Antiga Aliança, mas incorporados em serviço ativo dentro do Corpo de Cristo, a Igreja. Os dons distribuídos pelo Espírito são um sinal claro da aprovação de Deus em relação aos sacrifícios vivos que Lhe foram oferecidos.

À medida que os dons são exercidos, o Corpo é tornado real na adoração resultante (Rm 12.6-8), segundo nos mostra a seleção de dons feita por Paulo. O profeta torna a voz de Deus audível e a Sua vontade conhecida (v.6). O servo ajuda a irmandade sacrificialmente, impelido pelo amor de Cristo (v.7). O mestre hábil informa e esclarece os corações dos não instruídos, de modo que eles também possam ser apresentados perfeitos em Cristo (v.7; Rm 15.16; Cl 1.28). Aquele que exorta oferecerá aos indivíduos o seu estímulo carinhoso (Rm 12.8). O doador se deleitará em compartilhar benefícios materiais com os necessitados (cf. At 2.42ss.). O líder tomará diligentemente a responsabilidade de guiar e organizar a igreja e suas atividades, para que as metas sejam atingidas e a missão seja cumprida. Os compassivos servirão o Corpo aliviando o sofrimento e oferecendo simpatia (cf. Rm 12.8). 

É altamente significativo o fato de toda essa ação do Corpo (cf.12.4, praxis) estar incluída no conceito de Paulo de adoração espiritual (latreia). Partes da adoração ritual expressas através de profecia, ensino e exortação, nas reuniões regulares da igreja, são integradas com o serviço (diakonia). Este, por sua vez, é manifestado através de ações orientadoras e misericordiosas, realizadas dentro e fora das reuniões congregacionais. Como vimos com o tempo, a adoração era considerada pelos escritores neo-testamentários como "em" e "extra" ecclesia por natureza.

Dr. Russel Shedd
In: Adoração Bíblica
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Predestinação é uma palavra que provoca alergia em muita gente. É só dizer que Deus predestinou alguns para a salvação enquanto os demais foram deixados no pecado, que a grita é geral. “Isso é injustiça!”, “Deus é injusto!”.

Bem, seja como for, os escritores sagrados falam da predestinação. Paulo, por exemplo: “Porque Deus nos escolheu nele [Cristo] antes da criação do mundo [...]. Em amor nos predestinou…” (Ef 1.4-5).

Mas o fato de Deus não ter predestinado todos para a salvação seria “injustiça”? Pensemos.

Todos os homens, sem exceção, são pecadores; portanto, se todos fossem abandonados na perdição, isso seria plenamente justo da parte de Deus. Todos e cada um receberiam a justa paga pelo seu pecado. Mas Deus, que é soberano, decidiu escolher alguns e tirá-los dessa condenação, ou seja, ele não quis que todos perecessem, mas que alguns fossem salvos.

Desse modo, ele continuou sendo justo para com os que se perdem, pois são pecadores, mas demonstrou misericórdia para com os seus eleitos, os quais ele perdou em Cristo na cruz.

“Ah! Mas eu acho que ele deveria salvar todos”, diz alguém. Responde Deus: “Não me é lícito fazer o que quero do que é meu?” (Mt 20.15). Acho bom você ir se acostumando com a soberania de Deus.

José Moreno, um bispo anglicano que aceita a soberania de Deus.